segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

NATAL EM LISBOA 2013





presépio concebido pelo professor de Expressão Plástica Paulo Costa com o apoio dos alunos e dos professores das AEC,da Escola EB1 Luisa Ducla Soares, numa parceria com a Plataforma LX, e a Associação Passeio Público


Lisboa meu Amor


vem à minha cidade 
Bela De lisboa
Onde vim ao mundo
Num anónimo 3º andar
Duma rua COM plátanos
Que espreitavam pelas janelas
Únicas testemunhas
Daquele destemido e
Desesperado acontecimento.



Vem á minha cidade
Bela De lisboa
Onde te espero
Desde sempre
Por Onde vou passando
E dando quedas à toa
Em qualquer buraco
E tu me amparas
Quando vais ao meu lado.




Vem à minha cidade
Bela De lisboa
Onde mesmo assim é natal
Neste ano da graça
De dois mil e tal.

                                                 Isabel del Toro Gomes, Natal 2013


 

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

«Nevoeiro» de Fernando Pessoa

 

 

Dia de nevoeiro, frio e chuva junto ao grande Tejo, que o torna enigmático.

Porque será que as pessoas nunca sabem se o nevoeiro vem ao seu encontro, impreciso, desleal, traidor?Vem sempre tão sorrateiro que, de repente, deixamos de ver o Mundo.

Será isso mesmo que ele nos quer comunicar?

Fernando Pessoa retrata como ninguém esta ausência de tudo.

Portugal a entristecer, a esvair-se pela terra adentro...

 

Nevoeiro 

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer-
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.

Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!
Valete, Frates


Fernando Pessoa, Mensagem




sábado, 26 de outubro de 2013

«Cores de Outono» de Isabel del Toro Gomes




Cores de outono

Penso que nada me impressiona
De forma positiva
Nestes tempos de muita luta
Que só a fraqueza me possui
Me influencia e me conduz.
Nada disto é verdade
Nada pode ser assim
Porque nada é só assim
Bom ou mau
Fraco ou forte
Duma só cor, à contraluz.

Tudo se mistura dentro de nós
Tudo faz parte do nosso sangue
Tudo contém todas as cores
Deus nós e o mundo.

                                               Isabel del Toro Gomes


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Hora do chá




 Chá das cinco
 
Este post é especialmente para os que gostam de tomar chá, quer seja o das cinco ou doutra hora qualquer.
Desde há uns anos para cá, tomo chá a todas as horas, de manhã à noite, por motivos de saúde. Faço um bule de chá por dia, e vou bebendo, aos poucos. Comecei com o chá verde, mas agora vou variando, desde a menta à erva cidreira, a frutos silvestres, tudo. 
Gosto de todos os sabores, o chá passou a ser uma bebida imprescindível.
Depois das refeições, ajuda à digestão e substitui o café, que é agora proibido para mim. Dantes, não passava sem ele, depois do almoço principalmente, mas o mundo dá muitas voltas...
Agora, não me faz falta nenhuma e acho que fiquei a ganhar com a troca. 
Então no inverno, o chá das cinco bem quente e fumegante é imprescindível. Com o frio, nada mais reconfortante.

Tudo isto a propósito da palavra chá.




Nas minhas últimas leituras, descobri que foram os portugueses que introduziram o chá na Europa e que a palavra chá pronuncia-se quase como a palavra chinesa, tchá. 
Tinha de ser, os portugueses andaram sempre por todo o lado a meter o nariz!
Neste caso, trocas e influências mútuas entre países tão distantes são um fenómeno tão curioso como saboroso!
Se formos à China, é só pedir um tchá.


 

domingo, 29 de setembro de 2013

«Léah e Outras histórias» de José Rodrigues Miguéis









José Rodrigues Miguéis (Lisboa 1901/ Nova Iorque 1980)


O homem, Léah, distingue-se da besta por um calo sensível que esta não possui, segundo cremos: a consciência moral (...).
Em lugar de te seguir o exemplo, saboreando sem problemas o nosso amor, a nossa juventude e liberdade, passei a julgar-me réu de traição e deslealdade.


                José Rodrigues Miguéis,  Léah in Léah e Outras Histórias



A hora da verdade está a chegar, neste dia de eleições autárquicas dum pequeno país que podia ser maravilhoso, mas não é, graças aos desmandos e corrupção dos grandes senhores que tomaram o poder e se serviram dele como tiranos que são, no mais profundo do seu ser empedernido e ganancioso.
Sem o calo sensível da consciência moral.
Nada melhor do que ouvir e recordar as palavras dos grandes e sábios, neste momento. «Eles» não ouvirão nada, já que estão surdos e se pensam imortais.


 

domingo, 22 de setembro de 2013

O fim do Verão no Jardim da Estrela












Por fim renasci
De novo o mar
Lisboa o jardim e o rio
A luz o calor o frio
O mundo todo
                                          
                                                         Isabel del Toro Gomes

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

«Inscrição Estival» de David Mourão-Ferreira

Estátua no Parque dos Poetas, Oeiras



David de Jesus Mourão-Ferreira (1927/ 1996) 



 Ó grande plenitude!

                                              E a tudo,

a tudo alheio,
                                     saboreio.


Absorto
                sorvo
este cacho de curvas
                                       tão maduras...


Este cacho de curvas que é o teu corpo!

                                      

                     David Mourão-Ferreira, Canto II, in 
                     Os Quatro Cantos do Tempo (1953-58) 


E com um poema cheio de curvas, de verão e de um corpo pleno de beleza, deste grande poeta nunca esquecido, esperemos, nos despedimos do verão que vai acabando. 






domingo, 15 de setembro de 2013

«Luz Universal» de Isabel del Toro Gomes


 
 
 
Luz universal

 O dia começou

A brilhar

A criança dentro de mim

Abriu a custo os olhos  

A vida sorriu-lhe

E disse:

Vai, caminha em frente

Vai por esse mundo

É preciso continuar a lutar

Mais e mais ainda

Está sol

E eu sei que ele brilha

Para ti

E para toda a gente.

                                         
                                                          Isabel del Toro Gomes

 



domingo, 8 de setembro de 2013

Cecília Meireles



Cecília Meireles (Rio de Janeiro 1901/1964)
 A arte de amar é exactamente
a de ser poeta.
                                                                  Cecília Meireles

Os sáris de seda reluzem
como curvos pavões altivos.
Nas narinas fulgem diamantes
em suaves perfis aquilinos.

Há longas tranças muito negras
e luar e lótus entre os cílios.
Há pimenta, erva-doce e cravo,
crepitando em cada sorriso.

Os dedos bordam movimentos
delicados e pensativos,
como os cisnes em cima da água
e, entre as flores, os passarinhos.
E quando alguém fala é tão doce
como o claro cantar dos rios,
numa sombra de cinamomo,
açafrão, sândalo e colírio.

(Mas quase não se fala nada,
porque falar não é preciso.) 

Tudo está coberto de aroma.
Em cada gesto existe um rito.
 (...)


                                  Cecília Meireles (poema escrito na Índia)

Poema de palavras mágicas que evocam a Índia ancestral, as cores vivas dos sáris que contrastam com as tranças negras, os sons, os gestos, os aromas, os rituais...
Quem me dera ir à Índia, e ser capaz de escrever um poema com tanta sabedoria e beleza como este.